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Onde está a memória dos trilhos? Desmonte do Centro de Memória Ferroviária da Lapa cobra respostas do poder público
LAPA — Inaugurado com entusiasmo em 22 de setembro de 2017 após um convênio entre o Município da Lapa e o Exército Brasileiro, o Centro de Memória Ferroviária Sebastião Pires Furiati tornou-se rapidamente uma referência no Paraná para a preservação da história ferroviária do Sul do país. Instalado no prédio da “estação nova”, o espaço reunia um acervo de fotos, ferramentas, documentos e utensílios doados por famílias de ferroviários, além de peças do IPHAN sob custódia legal. Hoje, o cenário é de abandono e incertezas.
Antes ponto obrigatório em guias turísticos e sede de projetos de educação patrimonial e ambiental, o centro cultural sofreu um desmonte silencioso. Enquanto a prefeitura se vê agora compelida a restaurar a estrutura física do prédio por determinação de órgãos de fiscalização dom Patrimônio Histórico, a pergunta que ecoa na comunidade permanece sem resposta: onde estão as peças que contavam essa história?
A cobrança por transparência envolve itens de alto valor histórico e afetivo. Entre as peças desaparecidas estão bens federais sob a tutela da União — como um sino histórico originário da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) —, além de acervos particulares entregues pela população com a promessa de preservação pública.
Apesar da gravidade da situação, a ausência de justificativas formais e fundamentadas por parte dos responsáveis tem gerado indignação. Moradores e defensores do patrimônio exigem que as autoridades apresentem com urgência:
- O inventário oficial do acervo: A comprovação do paradeiro e do estado de conservação do sino e demais itens pertencentes ao IPHAN.
- O paradeiro do acervo doado: O rastreamento dos objetos e documentos entregues por ex-ferroviários e familiares.
- A apuração de responsabilidades: A prestação de contas sobre laudos técnicos, custódia e eventuais perdas durante o período de abandono do prédio.
A restauração das paredes da estação nova é apenas a primeira etapa do processo. Sem a devida prestação de contas e a recuperação integral das peças extraviadas, o resgate da história ferroviária da Lapa continuará incompleto. Com a palavra, as autoridades competentes.

